Serras Catarinenses 2017

Serras Catarinenses 2017
Serras Catarinenses 2017

No carnaval de 2017, final de fevereiro, aproveitei minha estadia em Florianópolis para um giro rápido pelas serras do sul catarinense. Já tinha feito a Rio do Rastro com meus pais 10 anos antes, faltava visitar a Corvo Branco e a Rocinha, ambas em obras eternas. Convidei o parceirão amazônico Sérgio, de Rio do Sul, e bolamos uma rota bem divertida. Para incrementar o roteiro, incluímos conhecer a serrinha de Angelina e depois a de São Bonifácio. Por que ir para o sul pelo asfalto da BR-101 não tem graça, obviamente!

Cedão ao amanhecer já estava saindo de casa rumo a São Pedro de Alcântara, onde termina o asfalto e começa a terrinha até Angelina. Uns 40km de colinas pela área rural. Estradinha estreita, muita mata. Bem conservada até, naquele momento. Alguns ciclistas também passeando pela mesma rota. E aquele susto para aprendizado: é erma, mas tem trânsito! Numa curva fechada e sem visibilidade adiante, me aparece um ONIBUS ocupando toda a largura da pequena pista. Como sou macaco velho já estava devagar antes da curva, e foi o tempo suficiente para sair do caminho do gigante. Em Angelina retorna o asfalto, sigo para Rancho Queimado e o posto de gasolina ponto de encontro com o Sérgio. Muito bom rever o companheiro de viagem e agora grande amigo após nossa aventura na viagem Amazônia 2016 (Rio Araguaia, Xingu, Nortão do MT, BR-319 até Manaus, barco pelo Rio Amazonas até Santarém, e então a BR-163 descendo até Cuiabá).

Do posto pegamos o rumo de São Bonifácio, tudo asfalto. Após esta cidade, começa outro trecho de terra muito bom, serrano, sinuoso, estreito, poeirento. Paisagens incríveis! Passamos pelo restaurante austríaco FlussHaus no meio do trecho, e fechamos essa etapa em São Martinho, onde voltamos ao asfalto. Nisso tudo já chegava o início da tarde, e percebemos que a rota planejada pelas terras de São Ludgero, Treviso até Timbé do Sul seria bem devagar. A idéia era chegar na Rocinha de dia ainda e tentar subir, então precisávamos aumentar o ritmo. Demos o braço a torcer e fomos pra BR-101, via Gravatal e Tubarão (minha cidade natal).

Seguimos pela BR-101 de Tubarão até chegar na BR-285, acesso a Timbé do Sul, em uma região que eu chamo de “Vale das Sombras”, com as três cidades chamadas SOMBRIO, TURVO e ERMO! ehehe Morei em Criciúma entre 1994 e 1999, e já visitei Timbé do Sul a trabalho e lazer (fui fazer rapel em uma pedreira). Por volta de 1995 houve uma chuva torrencial na Serra da Rocinha que de alguma forma provocou uma enxurrada violenta pelo rio, que devastou as margens e as casas próximas por dezenas de quilômetros até o mar. Na época fui lá verificar o impacto disso na rede telefônica local.

Chegamos em Timbé do Sul já final de tarde, pegamos algumas informações com os moradores, fotos nas placas, e arriscamos a subir até onde pudéssemos. A estrada está em obras de asfaltamento, e existiam operários, máquinas e bloqueios na pista. Alguns poucos quilômetros e já tivemos que voltar. O pessoal informou de muitas pedras pontudas devido às detonações recentes, que ainda estavam arrumando a pista. Mas deram a dica: volte domingo (no dia seguinte) que não tem ninguém trabalhando! Voltamos pra cidade e fomos bebemorar então né! Assim conversando com o pessoal no bar se vai coletando mais informações da estrada e curiosidades da cidade. E choveu bastante em seguida por horas.

No domingo, céu limpo, o clima colaborando para a subida da serra. Expectativa de ter alguma lama devido a chuva recente. Tomamos o café e como já tinhamos feito as fotos iniciais da estrada, subimos sem paradas até o mesmo ponto onde os operários trabalhavam no dia anterior. A pista úmida, fofa, dava boa tração para as motos. Dali em diante fomos subindo, trechos de mata fechada, estreita, sombra na pista, e desta forma pista molhada e escorregadia. O traçado serpenteia pela encosta, não chega a ser íngreme forte, mas tem algumas curvas super-fechadas. Encontramos o ponto da detonação de pedras, cheio ainda de cavacos e pedregulhos bem pontudos. Passamos com cuidado, sempre adiante. Não tem o que fazer além de acelerar e avançar.

Já tínhamos passado mais de 60% da distância conhecida para o trecho, quando encontramos o bloqueio na pista. Realmente um bloqueio digno desse nome. Uma gigantesca escavadeira posicionada ocupando toda a largura da via. De um lado um barranco e do outro um penhasco. Sem espaço pra nada. Ou quase! Descemos das motos, atravessamos pelo espacinho do penhasco, avaliamos a situação e… atravessamos as motos empurrando mesmo, por esse pequeno espaço. Crítico, mas não impossível. Bloqueio vencido, prosseguimos a subida. A pista alargou, o terreno continua fofo e úmido. Sinal das obras avançando no topo da serra. Após mais uns 15Km, chegamos no topo, a divisa entre SC e RS. Há uma rampa de vôo livre, algumas placas. Mas o tempo virou, neblina boa, atrapalhou as fotos panorâmicas.

Após comemorarmos esse desafio vencido, continuamos pela estrada rumo a São José dos Ausentes, já no lado gaúcho da região. A idéia agora é percorrermos o Caminho dos Canions até Bom Jardim da Serra. Nada de GPS, só observação das placas e conversa com os moradores. Claro que teve hora de dúvida, pois a estrada piorava muito e parecia uma trilha de cabrito sem movimento. Nessas horas difíceis até esquecemos de bater fotos, o foco era total na travessia do trecho. Chegamos na divisa novamente, agora saindo do RS e entrando em SC. Um rio bem limpinho, fundo de pedras, uma ponte de madeira, e algumas casas próximas. Sempre cheio de colinas e curvas. Muito bonito mesmo esse trecho. Não vimos nem chegamos perto dos canions, fica pra próxima.

De Bom Jardim da Serra, agora o rumo é para o Mirante da Serra do Rio do Rastro, onde fizemos um lanche, poucas fotos devido a neblina e descemos a famosa e lindíssima serra. Nem vamos falar muito dela porque “todo mundo” já conhece o visual, sabe como é linda, e com tudo asfaltado basta pilotar com atenção e cuidado e pronto. O maior perigo aqui é ficar olhando a paisagem, esquecer a pilotagem e bater na mureta de proteção. Muita tentação visual! ehehe

Passamos Lauro Muller no pé da serra, erramos o caminho e fomos para Urussanga. Nem parece que morei aqui, errar o caminho assim. Voltamos e seguimos para São Ludgero, Braço do Norte e… errei o caminho de novo, indo para Rio Fortuna. Voltaaaamos e pegamos a saída correta para Grão-Pará. Tudo asfaltado e tranquilo.

A partir de Grao-Pará que se inicia o trecho cascalhado/britado até Aiurê, para então começar a subida da serra. Asfaltaram um bom trecho entre Aiurê e o corte de pedra, ficou muito bom. Mas a encosta da montanha ainda é daquele jeito estilo “estrada da morte boliviana”: estreita praticamente mão única, terra com uma britinha solta, curvas fechadas e penhascos. Na nossa hora de subir o pior trecho, coincidiu com uma equipe de 20 jipes descendo, então tivemos que esperar mais um pouco. A paisagem é fantástica, vale a pena todo o esforço de vir pelo lado mais difícil (Grão-Pará). Qualquer moto passa, fique tranquilo.

Após subirmos e as devidas fotos e comemorações, fomos para Urubici encontrar o amigo Glauber Leite na pousada MotoGaragem. Um cara fantástico que fez uma viagem gigante pela América do Sul, coisa de ano e 60000Km, que vale a pena você conhecer.

Segunda amanhecendo, hora de voltar pra casa. Pegamos a estrada asfaltada para a BR-282, e em Rancho Queimado eu e Sérgio nos separamos. Fui pra Floripa e ele para Rio do Sul. Para agosto de 2017 estamos planejando mais uma viagem amazônica, conhecendo novas estradas e recantos desse nosso grande e belo país.

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