Brasilia – Rio via Curitiba 2009

Brasilia – Rio via Curitiba 2009

Sobrando alguns poucos dias de férias forçadas (dois anos acumulados) e ainda puto pelo adiamento da viagem ao Deserto do Atacama, resolvi espairecer a cabeça fazendo uma viagem por perto mesmo, para visitar alguns amigos, lojas, e meu irmão no Rio de Janeiro. Já prometia há muito ir lá, e agora tinha um motivo a mais: ver meu sobrinho de 5 meses.

Pensei muito rapidamente num roteiro que me levasse a algumas estradas novas! Meus únicos compromissos eram estar em BH na sexta, e Brasília no sábado pela manhã. Fazia tempo que não descia a BR-153 e não conhecia nada abaixo de Lins/SP, então poderia explorar essa rota alternativa até Curitiba para uma futura viagem até Florianópolis, onde moram meus pais. Em Curitiba ainda há uma ótima oficina de customização a ser visitada, a Cabeça de Ferro, e alguns amigos do BOG-PR que só conheço pelo fórum web. De Curitiba subo pra São Paulo, visito meu amigo e professor cHAO, e encontro com o pessoal do BOG-SP. Após Sampa, já conheço o caminho até Taubaté e aí entro em terreno desconhecido indo pro Rio pela Dutra. Depois de visitar meu mano, subo a serra para BH via Petrópolis e completo o percurso retornando pra Brasília. Cinco dias pra fazer tudo isso, um pouco puxado, mas realizável. Não haverá tempo para imprevistos ou passeios turísticos. Defini somente este roteiro, e o resto é aventura na estrada.


Dia 1 – 23/03

Cedinho estava na porta da oficina na Asa Norte para reinstalar o encosto/bagageiro, que tinhamos deixado pra trás devido à pressa de remontar a moto para ir ao show do Iron Maiden. Fica linda a M800 sem o encosto! Na semana anterior fiz a revisão de 42mil Km, onde desmontamos a moto e verificamos tudo. Foi a primeira grande revisão após o fim da garantia, e encontramos algumas coisas interessantes, sinais de que mesmo com 11 revisões feitas em concessionária, tinha pontos que nunca foram vistoriados! Aproveitei pra fazer uma brincadeirinha com o tanque especialmente para o show, e pra copiar o paralama traseiro em fibra de vidro, para futuros projetos de personalização. Finalmente as 9h atravessei o eixão de ponta a ponta e saí pela BR-060 rumo a Goiânia, para entrar na BR-153 e seguir até onde cansar, o que ocorreu as 21h em Marília/SP, totalizando 900Km no primeiro dia. Cheguei varado de fome, e depois de encontrar um hotel, ataquei a lanchonete ao lado.

A estrada até Marília foi um espetáculo! A BR-153 está toda recuperada e muito bem cuidada. Exceto, é claro, no trecho mineiro! Tem uns 45Km depois do trevão de Ituiutaba que ainda lembram o inferno que era essa estrada em 2005. Pra piorar, chovia bem, e tinha muito caminhão! Pra eles não existe buraco, pelo jeito! Eu ia devagar com cuidado, mas logo logo um caminhão chegava junto e pressionava. Depois disso melhora um pouco até Frutal e a divisa com SP, mas não é uma perfeição como encontrei nos trechos goiano e paulista. Um pouco depois de cruzar a divisa MG/SP, uma surpresa: pedágio! E cobrando de motos, ainda por cima! Como não planejei nada nem perguntei pra ninguém, pra mim foi surpresa mesmo. Ainda bem que desta vez lembrei de levar um pouco de dinheiro vivo. As praças de pedágio foram uma das marcas desta viagem, me “acompanhando” praticamente até a chegada em BH! Apesar de achar um abuso pois já foi provado que motos não desgastam o asfalto, e um motociclista responsável atravessa a rodovia SEM utilizar os serviços de emergência/resgate, é muito bom poder contar com a qualidade da estrada para rodar à noite ou com chuva, quando necessário.


Dia 2 – 24/03

7h da manhã começou o batente novamente. Deixei recado para o pessoal do BOG e segui a estrada rumo Ourinhos/SP. Devia ter abastecido na saída de Marília, mas a coisa do “ainda tem meio tanque, abasteço na estrada” foi mais forte! Maldito Murphy! Entrei na reserva 120Km depois e nada de posto! Comecei a andar pianinho, economizando combustível… o hodômetro parcial já marcava 260km e nenhum posto por perto. Pelas placas, haveriam cidadezinhas aparecendo em breve, mas quando finalmente chegava era somente um trevo ou um acesso, a cidade a dezenas de km de distância, e nada de posto. Pensei “a confiar nas placas, consigo chegar em Ribeirão do Sul”. Realmente, consegui chegar! Entrei no acesso a esta cidade, subi uma colina, vi a cidade ao longe no fim da descida, e acabou-se a gasolina! Banguela até lá embaixo, 3Km! Solzão, 9h da manhã… Lá vai um macete para não precisar empurrar a moto: acabou a gasolina, pare a moto, abra o tanque e feche. O ar entra e a pressão no interior do tanque normaliza. O restinho de gasolina que ainda tem dá pra rodar mais umas centenas de metros. Não sei se vale em todas as motos, mas na minha funciona! 😉 Perguntei aos moradores onde era o posto. Resposta: só tem um, e a gasolina não presta! Como pra quem já está ferrado não há muito o que escolher, fui lá mesmo. A informação se confirmou depois na medição do consumo da moto (fez 12km/l, quando antes estava fazendo 19), e o posto já foi devidamente denunciado à ANP. Vamos ver o que acontece!

Moto abastecida, continuo o caminho. Pra mim tudo é novidade pois não conheço esta região, e aparecem vários cenários lindíssimos. Passei por vários “cortes de pedra” que fazia muito tempo que não via, já que no planalto central não existe esse visual. E várias colinas, curvas, serrinhas. Chega de estrada reta, monótona! Entrei no PR e já levei uma tungada de 5,30 no primeiro pedágio! Caramba! Um assalto comparado com o valor de 1,30 que estava pagando no trecho paulista. E o pior, a estrada nem está tão bem conservada assim pra justificar esse preço! Cheguei em Curitiba por volta das 14h, parando no Shopping Barigui conforme orientação do amigo Seixas, do BOG-PR. Aproveitei para lavar a moto, que estava com barro “até as orelhas” desde MG. Enquanto lavavam a moto, fui almoçar e aguardar os amigos. O BOG é o clube de proprietários de Boulevard, criado a partir do encontro de vários apaixonados pela moto no fórum do site Motonline.com.br. A idéia cresceu, criou-se um forúm próprio, e hoje com um ano de existência já existem mais de 800 participantes em várias cidades brasileiras, trocando valiosas dicas sobre a M800 e C1500! Quando avisei no fórum sobre a viagem e interesse em almoçar/conhecer os BOGs pelo caminho, o pessoal prontamente me passou os contatos para comunicação e passar da amizade virtual para a real.

No Shopping Barigui, encontrei com o Seixas e sua esposa Carol, casal superanimado com sua M800. Eles me guiaram até a empresa de customização Cabeça de Ferro, que sempre admirei nas páginas das revistas especializadas. Atrapalhamos a tarde deles para conhecer os novos modelos e assuntar sobre o mercado de motos personalizadas. Enquanto estávamos ali, chegou o Brunetta, também do BOG-PR, com sua M800 “abre alas”! ehehe Partimos para a concessionária Suzuki mais próxima para ver se tinham uma peça que eu estava precisando, mas sem sucesso. Nesta loja vi meu próximo brinquedo, a nova V-strom 650, escolhida para o desafio de ir até Ushuaia pelo lado mais difícil: Carretera Austral, no Chile, dentro da Expedição Rumbo Al Sur 2010 em comemoração ao Bicentenário da Independência do Chile (e outros países latino-americanos). Maravilhosa a “vstromzinha” como já está sendo chamada! Da concessionária fui para um hotel dar uma geral na lataria, pra depois reencontrar o pessoal na confraternização. Escolheram um lugar muito bom, com ótima comida, onde experimentei a especialidade da casa, a famosa “carne de onça”! 😉 O tempo ajudou e não choveu, apesar de nublado e meio frio. A comilança ajudou a dormir rapidamente, bom pra descansar bem e ficar preparado pro próximo trecho!


Dia 3 – 25/03

Deus ajuda quem cedo madruga! Saí de Curitiba cedo antes do trânsito complicar, sem nenhum imprevisto (leia-se me perder). 7h “da madruga” já estava na estrada pra SP, a “infame” Régis Bittencourt (BR-116). Última vez que passei por aqui foi em janeiro/2008 na volta da viagem ao Uruguai/Argentina, até Juquiá quando entrei na serra que vai pra Sorocaba. Desta vez a estrada estava perfeita, com os trechos de Miracatu/Registro totalmente recuperados. O tráfego pesado de caminhões continua, pois ainda é uma das principais rotas de transporte no sul/sudeste. Há muita coisa pra melhorar nos trechos de serra, que ainda estão ondulados/abaulados, mas nada crítico como já foi anteriormente. A Régis atualmente está “terceirizada” para a empresa espanhola OHL, que por sua vez é “dona” de várias outras rodovias, como a BR-101 em SC, a Dutra, a Fernao Dias, etc. Será que vem “monopólio” por aí no futuro? Bom, o pedágio está baratíssimo: 75 centavos!!! Por quanto tempo?
Devaneios à parte, foi uma curtição rodar na 116 paulista e atravessar a serra de São Lourenço novamente. Lembrei de vários momentos, como em 2007 quando rodei com meu pai e o paralama dianteiro da Virago dele rachou devido às imperfeições da estrada. Ou quando faltou gasolina na minha Shadow… agora felizmente não tenho mais este problema com os 300Km de autonomia da M800! eheheh Entrei errado em Taboão da Serra, em vez de continuar na Régis… fui sair na USP, passei pelos Jardins e quando vi um shopping, estacionei. Hmmm, estacionamento com guarda, que chique! Deixei a mochila na moto e tudo! Eram 13h, procurei um cybercafé para avisar o BOG-SP da minha chegada, mas pelo jeito parei no único shopping de Sampa que NÃO TEM algo parecido com lan-house pra acessar a net! Pedi ajuda ao BOG-PR, e logo estava com os contatos do Tom, BOG-SP, onde já agendamos a confraternização da noite. Almocei e fui embora, descobrindo porque do estacionamento ter guarda: era só o Iguatemi, o shopping mais caro/chique da cidade! 6 reais a estacionadinha! Agora entendo o motivo de tanta “perua” e “engravatados” circulando, e os olhares esquisitos dirigidos para minha humilde pessoa, circulando de bota, calça de couro, jaqueta e colete, todos pretos, suado e cara de cansado!

Meu compromisso da tarde era um bom batepapo sobre personalização com o mestre Fernando Chao, com quem fiz meu curso de aplicação das tintas House of Kolor. Chao é artista de mão cheia e um dos feras na técnica de true fire no Brasil! Final de tarde, hora de enfrentar o trânsito de Sampa e encontrar os amigos do BOG-SP num bar na Avenida Paulista. Pense num sujeito perdido! Acho que fiz umas três voltas pela avenida toda até achar o bar. O problema de Sampa é que os retornos são distantes, errou, danou-se! Pra voltar ao ponto inicial e tentar recomeçar a trilha, dá trabalho! Ainda mais no trânsito do final de expediente… Atrasei quase uma hora, mas achei! Logicamente para ser bastante zuado pela galera! 😉 Cheguei a pensar nas vantagens de um GPS, mas passou, passou! Conheci o Hell, Kajita, T1 e R.Matos, do BOG-SP, galera ótima e obviamente contamos muitos causos de viagens, motos, etc. Parecíamos amigos de infância! E eu só os conhecia pelo fórum! Depois do rango fizemos um passeio noturno pela cidade, curtindo o visual das cinco motos andando juntas. Precisei abastecer, e me guiaram até um bom posto confiável. Acabei pernoitando em São Bernardo do Campo na casa do T1, que ofereceu o sofazão da sala. Não fui um bom hóspede, pois queimei o chuveiro! kkk


Dia 4 – 26/03

Pela manhã o T1 me deu as dicas para conseguir chegar na Marginal Tietê e sair de Sampa. Rodamos até a ponto onde ele vai pra cidade trabalhar e eu sigo em frente pra sair pela Rod. Airton Senna. Tantas vezes já comentamos sobre a solidariedade e irmandade motociclística… só quem viaja sabe a importância desse tipo de apoio numa cidade desconhecida! Obrigadão T1, as portas estão abertas aqui em Brasília para você e demais amigos! E novamente às 7h da manhã já estava a caminho do Rio de Janeiro, indo pela marginal Tietê até a Airton Senna. Tomei meu café da manhã no primeiro posto da rodovia. Esqueci que estava em Sampa e pedi um queijo quente reforçado com mais queijo. Pra que? Veio tanto queijo que o fiapo dava pra enrolar um paraquedas. A saída pela Airton Senna evita vários pedágios e um trânsito intenso de caminhões até Taubaté. Depois não tem jeito e tem que entrar na Via Dutra mesmo. A estrada é um tapete!

Vou passando pelas referências de viagens anteriores: Jacareí, onde quase fiquei sem gasolina na minha segunda viagem em 2004. Pedágio de Mogi, onde ocorreu o único pneu furado até agora em 5 anos de viagens. Entrada pra estrada dos Tamoios, que leva à Caraguatatuba onde encontrei meu pai (de moto vindo de Floripa) e meu avô (não, ele não anda de moto!). São José dos Campos, onde visitei o ITA e um amigo da Embraer. E finalmente Taubaté, que vim conhecer em 2007 somente para descer a serra até Ubatuba. A partir daí entrei na Dutra e em “terrítório desconhecido”. Fiquei impressionado com o tamanho da catedral em Aparecida do Norte! Que é aquilo? E o trânsito pesado, atravessando as cidadezinhas, ficando mais movimentado. Não dá pra bobear nem um segundo! Agora, que diferença é comportamento do motorista de SP em relação com o de GO e MG. É outro nível de respeito na estrada! Mas pode ser devido ao colete também né?

Bom, alguns quilômetros depois de Aparecida vi uma das paisagens mais belas da viagem, se não for justamente a melhor: a estrada serpenteando em descida, enquadrada nas laterais pelas muretas e casas à beira da rodovia, e ao fundo um conjunto de montanhas, provavelmente a Serra de Itatiaia, que me pareceram altíssimas! Talvez porque já esteja desacostumado com elas devido ao horizonte absolutamente reto do planalto central. Logo estava cruzando a fronteira, entrando no estado do Rio de Janeiro. Atravessei a Serra das Araras curtindo suas belas curvas! É realmente um trecho bem animado! Vou vendo as placas e começando a ficar ansioso. Estou em território desconhecido, e se eu pego a saída errada? Fui parando nos postos de gasolina e perguntando. Meu objetivo inicial era entrar na Ilha do Governador, o que consegui meio que no improviso. Dali, um contato rápido com o mano e já tinha as noções de rumo a seguir. Pra decorar uns 18 pontos de referência, no grito, até que fui bem! GPS pra que? Cheguei por volta das 13h, bem na hora do rango.

Meu irmão também tem uma moto, a XL250 véia que “roubávamos” da garagem pra dar uma volta pela rua, lá pelos 16 anos de idade. Com o tempo, meu velho acabou dando a moto pra ele, enquanto eu iniciava a vida em outra cidade depois de sair da faculdade. Essa moto tá apanhando dos mexânicos do Rio, mas um dia ela ressuscita! A noite, depois que ele retornou do trabalho, fizemos um churrascão caseiro e lembramos dos causos e confusões da vida. O almoço com os amigos do BOG/RJ infelizmente não pôde ser realizado, mas isto tornou-se um motivo a mais para retornar ao Rio! 😉


Dia 5 – 27/03

Só pra variar, às 7h da manhã estava abastecendo em um posto na saída da Ilha do Governador. 😉 Apesar das dicas, me perdi nos elevados e peguei o segundo retorno, quase lá na cidade já! Exageraaado! Segui pela BR-040 e fui curtindo a subida da serra. Maravilhosa, curvilínea, úmida, sensual! As 8h chegava em Petrópolis. Prevendo vários pedágios, entrei na cidade à procura de um caixa eletrônico. A falta deste item no portal turístico logo na entrada de Petrópolis deve ser uma estratégia para “forçar” o turista a explorar as ruazinhas da velha cidade! Muito bom quando se tem tempo, o que não era bem o meu caso! kkk Contatei o Begerron, nosso amigo do BOG/RJ, mas ele já estava em reunião tratando sobre os preparativos para o evento motociclístico da cidade, o aniversário do Moto Clube de Petrópolis (o qual eu soube depois que foi um sucesso! Parabéns Begerron e equipe!).

Petrópolis tem um trânsito parecido com Florianópolis, com certeza por terem um traçado antigo e ruas estreitas. O trânsito é lentíssimo. Levei uma hora pra entrar, sacar uma verba e sair da cidade! Retornei à BR-040 em outra área da cidade, e segui adiante. A estrada é ótima, e talvez por isso os carros abusem bastante da situação. Várias vezes fui “apertado”, mesmo estando na faixa da direita. Cruzei com dezenas de motos descendo a serra, cumprimentando-os sempre. É engraçado ver que, apesar de ser “tradicional”, o cumprimento na estrada ainda surpreende muitos pilotos. Uns não cumprimentam, outros dão uma tremida, sinal de que não estavam planejando cumprimentar e mudaram de opinião depois da minha iniciativa. Bom, cada um no seu ritmo…

Os pedágios continuaram até perto de BH, e são mais caros que na BR-116! Ainda bem que me preparei com um dinheirinho. No final da viagem, tudo somado, deu 50 reais de pedágio! Durante o percurso, fui lendo as várias placas apontando para cidades históricas… tentação danada de aproveitar o momento e conhecê-las! É terrível passar ao lado de um ponto importante e não poder parar pra curtir! Peguei chuva pelo caminho, uns 60km antes de Belzonte. Chuva fina, asfalto enlameado, tráfego começando a ficar movimentado. Estava perto das 12h e a fome aparecendo. O compromisso em BH era pra tarde, então eu estava dentro do horário esperado. Encontrei a sede da empresa, depois de umas ligações. Devo ter dado um belo susto no porteiro, chegando de moto, roupa de astronauta, enlameado, e falando que tinha uma entrevista de emprego! Acho que faltou pouco pra ele me indicar o setor de serviços gerais! Meu contato interno tinha viajado, e eu estava meio perdido sem o apoio dele. A chuva comendo e o porteiro não me deixava entrar. Arranjei um canto seco, tirei a roupa de chuva (que já diminuia) e amarrei na moto. Fiquei mais “apresentável”, de bota, roupa de couro, barba por fazer e colete do El Bando! 😉 Enquanto isso, conseguiram a liberação pra eu entrar e então fui lá fazer minha entrevista. O diretor da empresa já me conhecia também, e a conversa fluiu tranquilamente. Nao deixa de ser engraçado perceber o espanto de alguns funcionários com o inusitado da situação. Depois da entrevista, era obrigatório uma parada na concessionária pra rever os amigos do BOG/MG e trocar o óleo/filtro da máquina, pois já tinha passado um pouco da quilometragem. E assim, sexta-feira, 18h, chovendo, retornei pra estrada rumo à Brasília.

Peguei o congestionamento monstro do final de tarde em BH, levando praticamente uma hora pra conseguir entrar na BR-040. As obras de duplicação progrediram bastante em relação à minha última passagem por ali, dois meses antes, e só mesmo a chuva estava atrapalhando. Fiz uma parada estratégica depois de uns 120km, pois a chuva aumentava e a estrada piorava. Depois de uma hora e sem sinal de trégua aquática, continuei o trecho. Nem sinal da buraqueira entre Curvelo e Felixlândia, apenas remendos mal-feitos. Como a velocidade foi reduzida, cheguei já tarde em Três Marias, por volta das 23h (foram 5h pra rodar 250km!), e já aparecia o cansaço! Afinal, estava rodando desde as 7h da manhã, parando apenas para a entrevista e troca do óleo. Meu objetivo era ter chegado em Paracatu, para rodar pouco no sábado e cumprir meu outro compromisso. Mas não ia dar! No restaurante em Três Marias, dei uma “pescada” de sono e derrubei o refrigerante pela mesa. Avaliei que estava muito longe de Brasília para parar, então me preparei para mais um trecho de 100km até a cidade de João Pinheiro. Teria “apenas” 400km pra rodar no sábado cedinho. Olha, se arrependimento matasse… foram os piores 100km que já fiz. Sono, muito sono! Ia a 40km/h… e João Pinheiro não chegava nunca! Parei no primeiro posto da cidade, na frente de um hotel, que estava lotado! Maldita “maldição de João Pinheiro”! Falei pro cara que ia dormir no saguão, e “apareceu” um quarto vago, com quatro camas vazias! 2h da manhã e o cara tava esperando chegar quem pra ocupar quatro camas? Peguei esse mesmo e “morri”.


Dia 6 – 28/03

Largada as 6h da manhã, de João Pinheiro/MG, até Brasília. As primeiras horas do dia são perfeitas para pegar estrada. Não há movimento algum, ganha-se tempo, e ainda pode-se apreciar a alvorada. Mesmo sendo sábado, a travessia de Valparaíso é sempre movimentada, requer atenção. O que enche mais a paciência nesse trecho é o tanto de BURRO (não vejo outro termo) que está vendo o trânsito congestionado à frente, e fica forçando passagem em cima da moto!

Agora sei porque cara se acidenta faltando 10km pra chegar em casa! Você vem com a adrenalina da estrada, andando a 100, 110km/h, e aí pega o trânsito urbano a 60km/h… sua mente não aguenta, você ousa, arrisca, fica agressivo comparado com a velocidade dos outros, e aumenta o risco de acidentar-se! Tô vendo que o ideal é quando chegar no trecho urbano, parar num posto, dar uma relaxada pra adrenalina baixar, e então seguir pra casa num ritmo compatível.

Cheguei as 9h, tomei um banhão e fui pegar minha filhota, pois era o meu fim de semana.

Veja um vídeo da estrada!


“Não explico porque ando de moto! Para quem gosta, não é necessário,

e para quem não gosta, nenhuma explicação é possível”

Autor desconhecido


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