Rio – Caraguatatuba 2010

Rio – Caraguatatuba 2010

Tudo começa quando, estando em Floripa para o churrascão anual da turma da Escola Técnica, ouço de meu pai o convite: “Logo logo chega o aniversário do Vô! Te encontro em Caraguá?”. Tem mais de ano que meu pai não pega estrada, depois do acidente feio que lhe colocou vários pinos e trocentos pontos no quadril. Recuperada a moto e o “reboleition”, o guerreiro nao via a hora de rodar pelo tapete preto de novo. Respondo no meu novo linguajar carioquês: “Demorô!”. Ligamos para o outro carioca da família, meu irmão, que de pronto também ficou animado com a proposta. Partiremos os dois do Rio rumo a Caraguá e encontraremos “os velhos” lá, para a festança! Será nossa primeira viagem juntos, depois de vários anos de “motocagem isolada” cada um em sua cidade.

Seria, mas não foi desta vez. Uns dias antes da viagem, liguei pra confimar toda a programação e o mano veio com uma desculpa de “bursite” e correu da raia! Seria a “bursite” causada pela previsão do tempo, uma chuvinha à toa? heheheh
Nos últimos dias antes da viagem o tempo vira e cai o mundo. Chuva forte! Dia 16 ligo pra Floripa e confirmo que meu pai já partiu. Responsa agora, não posso furar! A noite anterior à viagem é sempre complicada. Ansiedade pela viagem, estradas novas a percorrer, tempo ruim, preparação da moto e alforges, dupla conferência em tudo… aproveitei pra avisar os amigos, testando o Twitter como ferramenta de comunicação rápida. Fui dormir tardão, chovendo canivete lá fora. De manhã tudo errado… acordei as 6h, olhei a janela, torci o nariz e voltei a dormir. As 8h novamente acordei e liguei para Caraguá pra ver se estava tudo certo. Meu velho chegou bem no dia anterior,
pernoitando em Peruíbe antes de completar o percurso. Não podia faltar de jeito nenhum! Olhei a janela, conferi a chuva (agora só uma garoa), rapidão botei “a farda” e parti! Sem colocar a capa de chuva… afinal era só uma garoinha e já ia passar! Eram 9h, Barra da Tijuca sentido Recreio, e eu o único “extraterrestre” rodando de moto pela área.
A rota planejada é ir até o final da Av. das Américas, cruzar Campo Grande e chegar no final da Av. Brasil, início da BR-101, e curtir o trecho “norte” da Rio-Santos, ainda desconhecido pra mim até Paraty. De Paraty a Peruíbe eu e meu pai já rodamos na virada 2004/2005. Tudo só olhado meio por cima no Google Maps… para viajar pelo sudeste e sul, meu planejamento de viagem é “liga a moto e vai!”. Gosto é de parar nos postos e conversar, pegar as dicas na hora. GPS é para tímidos! E assim fui chegando perto de Campo Grande, me molhando cada vez mais. Era hora de colocar a capa de chuva, finalmente.
Atravessei Campo Grande tranquilo, muito trânsito, voltas e retornos, mas surpreendentemente bem sinalizado. Não deu trabalho nenhum chegar à BR-101. Percebi um erro do roteirizador do Google Maps, indicando um retorno à esquerda na BR, pelo canteiro central. Deve estar BEEEM desatualizado, pois o retorno é por baixo de um viaduto, saída à direita.A BR-101 é velha conhecida em SC, chamada de “a rodovia da morte”, pois era pista simples e de alto tráfego. Agora foi duplicada praticamente no estado todo. Já rodei por ela em RS, SC, PR, SP, e agora no RJ. Quem sabe um dia percorro esta BR até o final, lá no Nordeste! “Rio-Santos” é o apelido dela nessa região do litoral. Vou curtindo o asfalto, um tapete! O trânsito leve, sem maiores sobressaltos além de uma Kombi “de igreja”, lotada e alucinada.
Curtindo o estradão desconhecido, chego num trecho de serra. Parti com 150Km previamente rodados, imaginando abastecer por volta dos 280Km, já próximo a Angra. Rodando devagar por causa da chuva, o consumo melhora bastante e chutei que teria sobra. Mas a moto entrou na reserva vários quilômetros antes dessa serra, e nada de posto! Desacelero e vou na manha.
Vejo uns carros acidentados, memorizo os km e penso em avisar a puliça se os encontrar. No horizonte, só mato e morro! E curvas, muitas boas e belas curvas!
Usar a moto até o limite tem suas particularidades. A serra entra em descida, a moto inclina pra frente, o restinho de gasolina vai pra longe da bomba, e a moto morre! Se a luz da reserva falasse, ela estaria gritando “DE NOVO, FDP?”. Não tendo outra coisa pra fazer, nem discuto com a Levada! Aperto a embreagem e desço a serra “na banguela”, economizando aquele restinho de gasolina que ainda está por ali. Perdi a conta já de quantas vezes fiz isso! Catalão, Maringá, Felixlândia, Três Marias, entre várias outras. E como tenho mais sorte que juízo, ao final da descida após uma curva aparece uma cidade oculta pela montanha! Mangaratiba! O embalo da descida acabou a 20m do posto. Com a moto nivelada, a gasolina volta pra bomba do tanque. Dou a partida e paro na frente da bomba do posto. Não precisei nem empurrar a moto! Enquanto esticava as pernas, aproveitei pra bater um papo com o pessoal do posto e pegar umas dicas da região.
Após Mangaratiba, passo por Angra dos Reis, mas nem vejo nada. A cidade e o mar ficam fora de vista ou a visibilidade estava reduzida mesmo por causa da chuva. E nem dava pra ficar me distraindo, com tantas curvas requisitando minha atenção total. Nestas horas, sempre aparece um corno motorista que acha que moto ocupa muito lugar na pista. Você focado nas curvas à sua frente, fica fácil esquecer de olhar no retrovisor. E subitamente, percebe um carro impaciente
querendo te passar de qualquer jeito. Assim que me vi na situação, sinalizei e dei passagem. Estava passando por uma estrada nova, chovendo, então estava indo devagar mesmo. Deixe o cara correr e se arriscar sozinho!


“Não explico porque ando de moto! Para quem gosta, não é necessário,

e para quem não gosta, nenhuma explicação é possível”

Autor desconhecido


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