Feriadão em Araxá

Feriadão em Araxá

Aproveitando o último feriadão de 2019, fomos visitar Araxá. Em viagens anteriores vimos alguns sinais indicando curiosidades pela estrada, como a placa sobre o “Museu dos Dinossauros” na BR-050 em Uberaba. A pontinha sul da BR-146 em MG também foi bem recomendada como estrada sinuosa e de belas paisagens. Assim montamos o roteiro, indo por Uberaba para conhecer os dinossauros, passando o dia em Araxá com almoço em Tapira, e retornando pelas BR-146 e BR-354 evitando os pedágios da BR-040.

Feriado chegou, dia de clima bom, algumas nuvens e sem sinal de chuva. Partimos cedo pra aproveitar o dia. O resto da cidade teve a mesma idéia, e o trânsito da saída sul de Brasília, passando por Valparaíso e Luziânia, estava bem lotado. A causa disso é o tráfego local misturado com o da rodovia, um entra e sai de carros pelas laterais da via, de qualquer jeito. Só vai melhorar quando existirem avenidas marginais para desviar esse trânsito. Levamos uma hora pra percorrer os 60Km do trecho. Depois de Luziânia o movimento flui melhor, com a estrada parcialmente duplicada aliviando a lentidão dos caminhões. Paciência e cuidado, tudo se resolve.

Com as notícias que a gasolina do Posto JK em Cristalina anda ruim, resolvemos seguir para o Sonho Verde. Para nossa surpresa as bombas estavam desligadas. Avançamos mais 80Km até Campo Alegre de Goiás para abastecer. Sem problema, todos com boa autonomia e o trecho deu 200Km. Este posto Ipiranga é uma boa opção para não parar nem em Cristalina nem em Catalão e fazer a viagem render mais. Próxima parada só 200Km depois, já pouco depois de Uberlândia. O caminho “normal” pra Araxá seria por Uberlândia, mas o museu dos dinossauros fica em Peirópolis, antiga estação ferroviária de Uberaba, a 18Km da cidade, no rumo de Araxá pela BR-262.

Uma belíssima surpresa conhecer Peirópolis, uma pequena vila ao redor da antiga estação de trem. Os trilhos foram removidos nos anos 80, e tudo re-urbanizado. Se não fosse a arquitetura do prédio, aquele design clássico de estação pequena do interior, nem imaginaria que havia ferrovia por ali. Uma bela praça ao lado da estação abriga réplicas em concreto de vários dinossauros encontrados em Uberaba, diversão garantida para a criançada. Ao lado da estação (hoje museu) há outro prédio com mais fósseis e material em exposição. Em volta desse prédio, alguns restaurantes e comércio de passeios turísticos pelos arredores. O museu está muito bem organizado, e esclarece bastante sobre os animais encontrados, desde répteis gigantes a jacarés, pererecas e preguiças, todos com milhões de anos de idade.

Visitamos tudo, almoçamos e prosseguimos a viagem. O amigo Roberto, de Araxá, passou a dica da chuva pelo telefone, e o tempo que ficamos em Peirópolis serviu pra chuva passar. Chegamos em Araxá por volta das 18h, com asfalto já secando. A comemoração foi na própria pizzaria do Roberto, gente finíssima, motoqueiro das antigas hoje pilotando uma Teneré 660. Muitas histórias de estrada foram contadas!

No dia seguinte, visitamos o centro histórico rapidinho. O Museu Dona Beja está fechado para reformas, então percorremos a rua principal. Colocamos as motos rumo a Tapira, aproximadamente 100Km rumo sul pela BR-146. Tapira é uma pequena cidade, com 5000 habitantes. Último asfalto antes de São Roque de Minas, uma das entradas para a Serra da Canastra. Tão pequena que só tinha um restaurante aberto, o do posto! O almoço foi ótimo mas o que vale mesmo é a estrada. Curvas e mais curvas, entre centenas de colinas e campos verdes. Muito legal. Passamos também por uma barragem de retenção de rejeitos de minérios, coisa que não dávamos muita atenção antigamente, mas hoje sempre acaba sendo notada. Perto de Tapira há uma enorme mina onde se extrai minério para fertilizantes, e perto de Araxá fica a maior mina de Nióbio do Brasil. Tudo isso pode ser visto nas imagens de satélite do Google Maps. Voltamos pra cidade, com tempo para visitar a fonte Dona Beja na área do Parque Hidromineral do Barreiro (onde fica o Grande Hotel Tauá), e depois no centro de Araxá visitamos o Mirante do Cristo. Um belo parque reformado recentemente, e ótima vista panorâmica da cidade. Já com sede de novo, o agito noturno foi procurando cervejas artesanais locais.

Domingo retornamos pela BR-146, agora rumo norte de Araxá, também conhecida como Serra do Salitre. Pista ótima, sinuosa, relevo variado. Só a tal serra que é minúscula, mas vale sempre conhecer e raspar a pedaleira. Passamos por Patos de Minas, e pegamos o trecho para Lagamar e Vazante, que também tem outra serrinha fantástica. Essa é mais longa, são 15Km de curvas, subidas e descidas. Desafiante pra quem gosta de correr, e fantástica pra quem curte o visual. De Vazante o rumo foi para Paracatu e Unaí, novamente evitando a BR-040 e seus pedágios. Rodamos um pouco a mais, mas sempre muito divertido. Pista simples em bom estado, sem muito movimento. Apenas na chegada em Brasília, pela estrada do PAD-DF, que teve um pequeno congestionamento devido aos caminhões lentos. A volta do feriado não foi crítica por aquele caminho.

Fechamos a viagem no motopoint habitual, já virou quintal de casa. Foram 1480Km bem rodados, reforçando as amizades e aprendendo sempre mais um pouco sobre nosso Brasil.

One Response »

  1. Belo passeio. Já passei varias vezes por Uberaba Uberlândia Araxá , mas sempre na correria. Gostei do roteiro , anotado e futuramente será feito . Valeu pelo relato

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