Que gasolina coloco na moto?

Que gasolina coloco na moto?

Que gasolina coloco na moto?
Artigo publicado no Jornal Mundo das Motos em Agosto/2007, Edicao 49.

Volta e meia escutamos esta dúvida, pois atualmente as opções são tantas que realmente confundem o consumidor. “Uso sempre a premium!”, diz um. “Eu só uso a comum!”, diz outro. E assim vai por todas as marcas e tipos de gasolina disponíveis. Conversando com os amigos, às vezes surgem até receitas milagrosas: “mistura 50% dessa com 45% da outra, mais 5% de aditivo tal! A moto vai ficar um foguete!”. Então, fiz um levantamento das informações sobre as gasolinas da Petrobrás, Ipiranga, Shell e Texaco, o qual repasso aqui para os amigos.

Tipos de gasolina:
Temos a comum, a aditivada e a premium. A gasolina comum é praticamente igual para todas, pois vem da mesma fonte: Petrobrás. A diferença começa na gasolina aditivada, onde cada distribuidora usa uma receita “secreta” de aditivos. E finalmente a tipo premium é uma gasolina mais forte, de maior potência (veremos isso ali na octanagem). É bom lembrar também que TODAS tem adição de álcool conforme obrigatório por lei aqui no Brasil.

Aditivos:
Basicamente identifiquei dois tipos de aditivo: os xampus limpantes, que limpam os resíduos da explosão, descarbonizando velas e válvulas. Deixam as “artérias do coração” da moto limpas!. E há os redutores de atrito, que são os aditivos que dão um jeito para que o cilindro/pistão escorreguem melhor. E redução de atrito significa melhor rendimento do motor, menor consumo! Agora, tem que prestar atenção pois nem toda aditivada tem os dois aditivos. Comparando as marcas, a maioria das aditivadas oferece apenas o xampu limpante. Quando tem os dois aditivos, costumam diferenciar chamando de SUPER-aditivada.

Octanagem:
Uma palavra bem complicadinha de explicar. Octana é uma medida da resistência à detonação. Ou seja, quanto a gasolina aguenta de pressão antes de explodir. As nossas gasolinas já foram mais fracas, mas atualmente as informações dizem que não devem nada ao resto do mundo. No Brasil estão disponíveis gasolinas com 87 octanas (comum e aditivada), e as premium de 92 e 95 octanas. Um dos fabricantes informa que esta de 95 “é a mais forte do mundo!”.

Atualizacao de 2014: viajei pro exterior – Argentina, Uruguai, Chile, Mexico, Estados Unidos – e conheci gasolinas mais fracas como a 85 octanas americana, e mais fortes como a 97 octanas argentina. Nós brasileiros temos que parar com esse mimimi de que a nossa gasolina é a pior do mundo. Não é!

mapagasol2007

Comparando as informações técnicas, vemos claramente uma vantagem das aditivadas da Texaco e da Shell sobre as outras marcas, pois elas possuem os dois aditivos. Isso bate com os relatos de melhoria do consumo obtidas com o uso dessas gasolinas. Em todos os distribuidores, as tipo premium foram recomendadas somente para “veículos importados de alta performance”. Essa gasolina mostra toda sua força em motores com taxa de compressão acima de 10 pra 1. Assim, utilizá-la em motos “normais” parece ter mais efeito psicológico do que prático. E ainda machuca o bolso, pois é mais cara. Na dúvida, leia o manual da sua moto e procure saber qual a taxa de compressão do motor.

Conclusão:
Em motos “normais”, gasolina premium só pra gastar dinheiro, pois é mais cara, não te traz potência, e faz o mesmo trabalho da aditivada. A premium só tem vantagem pela durabilidade, leva muito mais tempo para formar “gosma” e é boa pra quem deixa a moto parada por semanas. A gasolina aditivada é a melhor escolha, já que muitas vezes tem o mesmo preço da comum e ainda limpa o motor. Comum só em emergências na estrada, e mesmo assim cuidado com a “cara” do posto, pois infelizmente a gasolina adulterada é uma realidade para todos os tipos de gasolina! Controle sempre o consumo a cada abastecimento, pegue o cupom ou nota fiscal e em caso de desvio muito grande, denuncie para a ANP com vontade!

Última dica:
Se você está usando a comum há muito tempo, não troque para aditivada rapidamente, sob pena de soltar um monte de sujeira e entupir carburador ou outra parte do circuito de alimentação. Quando for abastecer, coloque 80% de comum e 20% de aditivada, e vá usando. No próximo abastecimento, aumente a dose de aditivada, e vá controlando.

Fonte de pesquisa: sites da Ipiranga, Petrobrás, Shell e Texaco

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