Viagem pelos EUA – Parte 1 – Sturgis

Viagem pelos EUA – Parte 1 – Sturgis

Mais um vídeo pronto! A primeira parte da viagem pelos EUA, em agosto 2013.

 

Compacto dos relatos diários:

DIA 8 – 11/8/2013
Domingo foi dia de fazer as malas novamente, para encarar 480Km de trecho até a próxima parada. O tempo estava ensolarado, seco, lembrando o clima de Brasília.

No roteiro, uma passada na Devil´s Tower, montanha de formato bem estranho que ficou famosa no filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau. Ao avistarmos a montanha, a vários km de distância, fizemos aquela paradinha pra fotos e uma aura mítica (ou mística) queria aparecer. Influência do filme, claro. Mas quando chegamos na entrada do parque de acesso à montanha… aquela realidade de sempre: lojinha cheia de quinquilharias, estacionamento, asfalto. Tudo embalado pra consumo. A lojinha, claro, com várias lembrancinhas relativas ao filme. E também ao evento de Sturgis, pois fica próximo (130Km) e faz parte da lista de passeios/eventos da programação oficial.

Depois de uma pausa pra água e fotos, seguimos viagem, retornando alguns quilômetros até uma pequena cidade e então pegando o rumo da estrada US-212. Um retão que atravessa região de fazendas, plana e monótona, no estado de Montana. A parte engraçada do dia foi durante o almoço. Numa cidadezinha, a lanchonete também era cassino (só caça-níqueis) e escolhemos os pratos. Quando chegou, eram sanduíches de hamburguer. Perguntei se a carne era de gado ou búfalo, e a senhora que atendeu simplesmente respondeu: “é carne!”.

No final do dia chegamos ao principal objetivo, o campo de batalha em Little Bighorn, onde os índios das planícies tiveram sua maior vitória contra o exército americano, derrotando o infame Ten.Coronel Custer em 1876. No local hoje há um museu e memorial sobre o acontecimento, com vídeos explicativos. O filme principal honra a memória dos envolvidos, colocando os dois pontos de vista da batalha: um país branco em expansão territorial lutando contra os últimos rebeldes e um povo nômade defendendo seus territórios, população e modo de vida. Ali conhecemos também o outro lado dos índios, os que lutavam a favor dos brancos, defendendo seus territórios contra a expansão territorial Sioux. No final, a velha história: o bicho maior engole o bicho menor.

Pernoitamos na cidade de Hardin, pois o memorial fica dentro da reserva Crow, e não existem hotéis. Teremos dois dias puxados pela frente, então agora o lance é jantar e descansar.

 

DIA 7 – 10/8/2013
Sabadão, finalmente o evento!

Pensem numa cidade de 6000 habitantes, recebendo em sua avenida principal centenas de milhares de pessoas durante 6 dias de evento! Começa na terça e vai até domingo. Historicamente, começou em 1938 quando o MC local organizou algumas competições. E ainda são realizadas!

Com o tempo o evento cresceu tanto que em 2000 passou a ser regional, com atrações espalhadas pelas cidades vizinhas num raio de até 160km. Shows variados, manobras, lançamentos de novas motos, competição de customização, test-drive de motos, vale tudo para atrair a atenção (e a grana) dos participantes. A “loucura” foi afastada da cidade, ficando num acampamento monstruoso chamado Buffalo Chip. Lá tem de tudo! Na cidade ficou a parte “certinha” da festa: povo andando pela avenida e consumindo tudo que é quinquilharia sem brigas. Bebida alcoolica somente dentro do bar, na rua não pode.

Exceto pelo inglês, poderia facilmente estar num evento no Brasil: os mesmos patches com frases engraçadinhas, mesmos produtos à venda, pessoas normais e, como sempre tem, os “malucos”. As motos, 98% eram Harleys. Vimos varias motos diferentes de HD, mas realmente eram poucas no total. A esmagadora maioria dos motociclistas estavam sem colete, ou com coletes “genéricos” (cheios de patches, mas sem filiação a algum mc). Poucos realmente com patches de MC. E nestes, mesmo assim, tinha de todo tipo, formato e cor, uma, duas ou três peças. Quem acha que no Brasil tem “caos”, devia vir aqui ver o “hipercaos”. Usei o colete do El Bando sem qualquer problema no evento ou na estrada. Apenas UM cassino em Deadwood tinha o aviso “no colors” na entrada. Conversando com vários motociclistas nos postos na estrada e mesmo no evento, a regra geral parece ser “ninguém liga pro que você veste, mas sim para como você age. Aja com respeito, e será respeitado.”

Descobrimos na cabeçada que quarta e quinta são os melhores dias! O americano “normal” tira a semana de folga, parte no sábado antes do evento, curte o meio da semana, e retorna de forma que no domingo ja esteja em casa de novo, pronto pra trabalhar na segunda. Isso explica aquele tanto de gente voltando, enquanto estávamos indo!

No sábado que fomos já estava “fraco”, segundo alguns lojistas com quem conversamos. Muitos já desmontam as lojas no sábado a noite mesmo. Domingo é a xepa, liquidação geral.

Visitamos o Museu de Motociclismo, fantástico, e depois corremos algumas dezenas de KM para visitar o Monte Rushmore (os quatro presidentes entalhados na montanha) e o Crazy Horse Memorial. Este último será um colosso quando pronto. Concebido como uma resposta indígena ao Mt. Rushmore, para homenagear os heróis nativos, foi escolhido o líder guerreiro Crazy Horse, que nunca assinou um tratado nem se deixou fotografar. A escultura é tão imensa que os quatro presidentes cabem na cabeça do índio! Está em andamento, e serão muitos anos até terminar, pois não aceitam dinheiro do governo para acelerar a obra.

Voltamos de noite, pela estrada no interior das Black Hills. Fantasmagórico, frio, e o medão de aparecer um alce, urso, puma, pé-grande, ou qualquer outro bicho esquisito… Kkkk

Não tive tempo para procurar a parte barra-pesada do evento, certamente fora da cidade.

A foto do dia é numa rua transversal, que dá visão para o letreiro da cidade no morro próximo.

 

Dia 6 – 9/8/2013
Esse dia foi tão carregado de emoção que da pra escrever um livrinho só desta sexta! Pra encurtar, vou resumir tudo no seguinte: entramos na maior reserva Lakota/Sioux do mundo, um dos lugares mais pobres dos EUA (nos parâmetros dos brancos), em Pine Ridge. Visitamos o local do massacre de 1890, onde por um mal-entendido durante um desarmamento mais de 250 mulheres e crianças indígenas receberam tiros por todos os lados. Momento de meditação e oração.

Depois chegamos no centro da reserva, onde num desses acasos que só a estrada pode fazer acontecer, encontramos a anciã Chick Big Crow e pudemos conversar. Explicamos sobre nossa viagem, os locais onde passamos, e sobre o presente que levamos para a tribo. Ela nos contou sobre como a situação da tribo tem evoluído em alguns aspectos, e em outros continua estagnado. Depois detalho isso. Outro tema que surgiu na conversa foi o exemplo de vida da filha de Chick, cuja liderança juvenil na comunidade foi abruptamente cortada devido a um acidente de carro. E reconhecida pela comunidade, que se uniu para erguer um centro educacional para as crianças e jovens, objetivando afastá-las dos vícios que assolam os adultos nativos, especialmente o alcoolismo.

Contei um pouco da historia dos índios no Brasil, e de como o processo português de colonização foi similar, senão mais cruel ainda do que o americano.

Nesse papo que tocou os corações de todos, decidimos dar a ela o presente, um cocar Pataxó, e ela nos abençoou e a nossa viagem, em uma pequena cerimonia nativa. Aprovou também o brasão do El Bando, apos explicarmos o significado.

Depois desses acontecimentos, retornamos à estrada com energias e ânimos renovados. Quando chegamos nas Black Hills, região do evento e terra sagrada dos Sioux, invadida desde 1874 por uma corrida do ouro, pudemos sentir essa emoção toda e entender porque eh palco de disputas legais até hoje. Nosso hotel fica na cidade de Lead, uns 30km dentro das Black Hills, e justamente onde foi descoberta a mina de ouro, gigantesca! Fomos jantar em Deadwood, cidade coladinha, que era a cidade em volta da mina. Imaginem o velho-oeste, aquelas cidades com pistoleiros, mineiros, poker, cabarés, ouro…

Tentei resumir, ficou enorme… Muita informação para um dia só… Falei q dava um livro só desse dia!

A foto do dia é justamente quando chegamos na divisa da reserva.

 

Dia 5 – 8/8/2013
Saímos de Sioux Falls com tempo nubladão e frio. Cadê o solzão que disseram que haveria? Passamos em Mitchell onde existe o “Palácio do Milho”. Um espaço para endeusar o cultivo do milho e a importância do mesmo para os EUA. E pensar que o milho foi um presente dos índios para salvar a vida dos colonos ingleses…

Continuamos na I-90 até Chamberlain, onde visitamos o Akta Lakota Museum, localizado numa antiga escola católica para os índios. Há 100 anos, a idéia predominante era catequizar e aculturar. A língua e costumes nativos eram proibidos, as crianças separaras das famílias e obrigadas a ir pra escola para “embranquecerem”.

Depois aproveitamos pra passar em duas reservas Sioux próximas de Chamberlain. São pequenas vilas, à beira de um lago. Estrada e paisagem muito bonitas. Pelo adiantado da hora, meio decepcionante por não conseguir ver alguém nas ruas. Entramos em um cassino na segunda reserva. Um galpão cheio de velhinhas jogando videopoker ou caça-niqueis. Os cassinos são negócios autorizados pelo governo para os índios e existem bem poucos fora das reservas. Uma compensação, talvez, pelas terras pouco produtivas onde colocaram as reservas.

Finalizamos o dia regredindo 100Km na estrada, pernoitando em Kimball, unica cidade na rodovia I-90 que tinha vaga em hotel nesta semana. Isso a 300Km do evento!

A foto do dia é nessa segunda reserva indígena, da tribo Lower Brulé.

 

Dia 4 – 7/8/2013
Quarta-feira, de Milwaukee até Sioux Falls, uns 700 e monte de Km.

Atravessamos dois estados (Wisconsin e Minnesota) e chegamos na Dakota do Sul. Os primeiros 200Km dentro do Wisconsin foram legais, colinas, curvas, coisa pra ver. Já no Minnesota, foram 500Km de reta e plantação dos dois lados da estrada até onde a vista alcança. Lembrei do Mato Grosso do Sul! Cruzamos o Rio Mississipi na divisa entre esses dois estados, e o “córgão” é grande mesmo! É o “Rio Amazonas” deles, a fronteira natural que marca o início do “oeste selvagem”, o território das grandes planícies e suas tribos.

Tempo bom, nublado e frio no início, sem chuva. O calor forte ainda não apareceu. No trânsito das cidades, o povo dirige direitinho e é bem calmo/paciente. Nas rodovias, todo mundo rodando umas 20 milhas acima da velocidade máxima. Algumas motos indo pra Sturgis e muitos voltando não sei de onde, indo pro lado errado! Desde Chicago (Illinois) os motociclistas rodando sem capacete! Metade cumprimentou, cansei o braço de tanto aceno. Amanhã compro um braço de borracha pra deixar levantado direto! Kkkkk

A foto do dia é na rodovia I-90, no Wisconsin. Tem outra placa e foto na mesma rodovia no Minnesota.

 

Dia 3 – 6/8/2013
Na terça pegamos a moto! Descobrimos que a loja era meio longe (35km) e levamos 2h pra chegar nela, de metrô e ônibus. Alícia, do metrô, nos ajudou bastante! O pessoal da loja estava animado com nossa viagem, trocamos bastante idéia sobre as estradas. Ganhamos mapas! Revendem Ducati, KTM, Norton e Triumph! Babamos bastante com a loja, as motos, os acessórios, e os preços! Compramos os capacetes, assinamos a papelada e fomos pra estrada. Pegamos uma estadual, pra fugir do pedágio da autoestrada principal ate Milwaukee. Mais lenta, mais comprida, e mais divertida, passando por dentro de cidades. Acabamos chegando no Museu HD no meio da tarde, mas conseguimos ver tudo. Fomos praticamente os últimos a sair. No estacionamento, só nós de moto “estranha”!

A foto do dia é na seção de motos bem antigas do Museu Harley-Davidson. Uma história muito boa apresentada pelo museu é a da viagem atravessando todo o país, do Atlântico ao Pacífico e voltando, realizada em 1915, por MÃE e FILHA, numa moto com side-car. Atoleiros, pneu furado e uma arma na bolsa!

 

Dia 2 – 5/8/2013
No segundo dia, segunda, a loja das motos fica fechada, então aproveitamos pra fazer mais algumas voltas.Tudo de metrô, e claro que nos perdemos! Conhecemos de norte a sul da cidade e devo ter andado mais uns 252Km…

A foto do dia foi no Field Museum, onde entre varias exposições interessantes, tem uma sobre as tribos do litoral noroeste (região do Oregon/EUA pra cima, incluindo Canadá). A foto é dos totens, onde cada clã contava sua história.

 

Dia 1 – 4/8/2013
O primeiro dia da viagem foi terrível: 4 aviões e 22h de vôo e chá de cadeira. Após chegarmos em Chicago, fomos caminhar e conhecer as quadras e points em volta do hotel.

A foto do dia é da bagagem, para desespero da mulherada! Apenas duas malas pequenas, para vinte dias. Fora delas, as botas e as jaquetas. Capacetes deixamos para comprar nos EUA.

 

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