Dicas para a BR-174

Dicas para a BR-174
Dicas para a BR-174

Uma rodovia de 3300Km que não foi terminada, ficou construída praticamente apenas em Roraima. Conhecida como Rodovia Boa Vista – Manaus, famosa pelo bloqueio diário dos índios Waimiri-Atroari, atravessa quatro estados e tem muita selva ainda. Uma grande aventura pelo Amazonas e Mato Grosso.

HISTÓRIA: https://pt.wikipedia.org/wiki/BR-174
VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=EAQVKuJkQME

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TRECHO RORAIMA
Roteiro: https://goo.gl/maps/b4eG69554nm

Vamos começar do norte para o sul desta vez, que é o trecho mais fácil e asfaltado. A BR-174 tem seu limite norte em Pacaraima na fronteira do Brasil com a Venezuela. Corta todo o estado de Roraima, passando pela capital Boa Vista, e segue para o sul rumo a Manaus. A pista é bem conservada, não é duplicada. Um ponto turístico interessante, é o Marco da Linha do Equador. Existem postos de gasolina e cidades pelo caminho, suficiente para a autonomia da grande maioria das motos. Entretanto, um risco frequente é a falta de energia e o posto não conseguir abastecer. A Vila Jundiá fica logo ao lado da entrada da Terra Indígena, pequena mas tem alguma estrutura para passar a noite.

A questão da Terra Indígena Waimiri-Atroari, pudemos observar quando passamos por lá. A rodovia percorre 120Km por dentro da reserva, pista simples, estreita e muita mata. Existem diversas placas avisando sobre atropelamento de animais e acidentes. Como não existe resgate, ambulância, SAMU, sobra pros índios atenderem as vítimas. Depois de algumas conversas por ali, entendemos que o bloqueio durante a noite é para minimizar os acidentes e consequentemente o acionamento dos índios para o resgate. Durante o dia a passagem é liberada. Passamos em agosto 2017, e a boa notícia daquela época era a construção de postos da PRF nas extremidades da área, e assim terminará o bloqueio noturno. Já estamos em 2019 e não consegui encontrar evolução nestas obras.

TRECHO AMAZONAS
Roteiro 1: Divisa RR/AM até Ramal de Manicoré
Roteiro 2: Novo Aripuanã até a Vila Guatá

Entrando no Amazonas, até Manaus a BR-174 continua pista simples. Passa por por Presidente Figueiredo, uma cidade turística com dezenas de cachoeiras e cavernas. Um relevo surpreendente para quem imagina a Amazônia simplesmente plana. Ao sul de Manaus a aventura começa. A BR-174 é coincidente com a BR-319 por 400Km até o Ramal de Manicoré, acesso de 80Km por meio da selva, recuperado recentemente devido à restauração da BR-319. Ao chegar no Rio Madeira, pega-se uma balsa para chegar em Manicoré. A cidade é “fim do caminho”, o trecho de Manicoré até o entroncamento com a BR-230 (Transamazônica) e continuação para o Mato Grosso ainda não foi construído.

Uma alternativa para o aventureiro é pegar outra balsa para Novo Aripuanã, descendo o rio Madeira, e então percorrer a AM-174 até chegar na BR-230. Para ir ao MT, o único caminho é via a Estrada do Estanho, uma estrada de 200Km passando pelo Parque Nacional dos Campos Amazônicos e a Terra Indígena Tenharim. Pista arenosa, cerrado, sem qualquer recurso ou infra-estrutura. A estrada do Estanho termina na Vila Guatá, também chamada de Três Fronteiras, extremo oeste do município de Colniza, MT. Deve-se rumar para leste, indo para Vila Guariba e então a sede do município, para novamente chegar na BR-174.

TRECHO MATO GROSSO
Roteiro 1: Vila Guatá até Vilhena
Roteiro 2: Vilhena a Cáceres

A BR-174 no Mato Grosso segue de Colniza para Aripuanã, Castanheira, Juruena e Juína utilizando nomenclatura estadual nos vários trechos: MT-206, MT-170, MT-208, etc. Sinal de que a BR-174 no MT na realidade ainda não existe
oficialmente. De Juína para Vilhena, mais 200Km pelo meio da mata fechada, terra indígena.

O trecho de Vilhena até Cáceres, é rota normal asfaltada, parte do grande trânsito de carga entre Cuiabá e Porto Velho. Pista simples, bem conservada, e sem grandes problemas de abastecimento de gasolina. Um ponto turístico
interessante é a Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital do Mato Grosso, e área com muitas cachoeiras lindíssimas.

A grande dica de segurança é evitar rodar a noite, devido animais na pista e falta de pontos de apoio.

NOSSA EXPERIENCIA:
Fizemos vários trechos da BR-174 nas nossas viagens amazônicas. Vilhena a Cáceres em 2015, o trecho Colniza até Vila Guatá e a BR-319 em 2016, e o trecho Boa Vista a Manaus, BR-319 e Vilhena-Comodoro em 2017.

Transamazônica 2015 – Ver dias 16 e 17
Amazônia 2016 – Ver dia 16 em diante
Amazônia 2017 – Ver dia 24 em diante

Leia também as dicas sobre a MT-206 e BR-319 através da página do Projeto Estradas Amazônicas. A parte que falta agora, de Vilhena ao interior do MT, Estanho, Nova Aripuanã e Manicoré é a mais radical e aventureira, queremos fazer essa rota inteira com certeza.

DNIT – CONDIÇÕES DA RODOVIA:
No site do DNIT tem informações sobre a condição das rodovias, mas não é muito confiável. Escolha o estado e a rodovia e consulte: http://servicos.dnit.gov.br/condicoes/

ERROS DOS MAPAS:
Por ter vários trechos ainda planejados pelo meio da selva, o traçado da BR-174 é interrompido nos mapas digitais. E as vezes o que consta no mapa não é o traçado original, mas um aproveitamento de estradas estaduais existentes, para viabilizar uma rota. Vários pontos citados no texto foram mapeados no Google Maps, OpenStreetMap e
no site MOTOENCONTROS.

QUER COLABORAR?
– Ative as coordenadas geográficas na sua câmera, e inclua mais pontos interessantes da estrada no próprio Google Maps. Se o ponto não existir ainda use a função “informe lugar ausente”, e se o ponto já existir, inclua suas
fotos nele. Fotos do local né, não selfies mostrando essa sua cara feia.

FOTOS:

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5 Responses »

  1. Muito produtivo e detalhado. Fico feliz em participar da narrativa, bom fazer parte d algo tão grandioso . Parabéns meu amigo

  2. Fala Bressan. Aqui é o Bressan também, kkk. Excelente texto. Por sinal também confecciono alguns textos no site do meu moto clube. Quando tiver tempo, dê um olhada também. Abraço!

  3. Parabéns Bressan pelo excelente documentário que tanto agrega aos motociclistas que curtem viajar por esse Brasil.

    • Obrigado, Roberto! A idéia é compartilhar a experiência e incentivar quem também quer andar por aquelas estradas desafiadoras.

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